Se há algo a que qualquer mulher aspira é poder, por uma vez na vida, por um momento, poder ser de alguma forma superior a um homem. Essa superioridade pode traduzir-se em coisas como mandar-nos lavar a loiça e nós acedermos ao pedido, conseguirem ultrapassar-nos na estrada (porque estamos distraídos a acender o cigarro ou a sintonizar o rádio), ou por nos esconderem o pastel de nata que acabámos de comprar no trabalho e que deixámos abandonado na nossa mesa. Essa sensação de alcançar o inalcançável, o poderem controlar-nos e/ou serem superiores a nós, traduz-se em coisas tão ridículas como "sei onde está o teu pastel de nata mas não to dou". Como quem diz, "até o descobrires, estou numa posição superior".Nada disso. Vejamos na estrada: uma mulher sente-se realizada, feliz para o resto do dia, do mês se for preciso, se ultrapassar um homem na estrada. É natural. Numa tarefa onde sabem que são claramente inferiores a nós (como, de resto, em quase todas as outras) em técnica, perícia, arte, a sua satisfação vem do facto de terem sido melhores que um dos nossos espécimes. Mas porque são assim? Nós sabemos, por exemplo, que elas são bem melhores a lavar pratos, a limpar a casa, a trocar fraldas (a cozinhar não, visto que os melhores cozinheiros do mundo são homens), mas não nos vangloriamos por trocar fraldas mais rápido que elas...
Adoro vê-las nas praxes académicas. Na condição de praxantes, não de praxadas. Imaginemos quatro pessoas, lendo os seus pensamentos:
Homem a ser praxado: "Isto é uma seca. Quero sair daqui. Mas ao menos estou a beber de borla."
Mulher a ser praxada: "Vou-me vingar."
Homem a praxar: "Aquela caloira é mesmo boa. Vou ser bonzinho para ela a ver se ganho uns pontos."
Mulher a praxar: "Estou a controlar pessoas! Estou a mandar em homens!"
Pronto, sabemos que é uma sensação única na vida. Há que deixá-las ter este saborzinho na boca por breves momentos. Mas quando fui praxado, deixei no ar a mais sábia frase alguma vez dita por um homem, e esse homem foi um primo meu de três anos. Quase um bébé. Mas a frase, dita a seco naquele momento, quando aquele ser venusiano, no seu mundo de ilusão momentâneo, achava que mandava em alguém, foi de tal forma chocante para a praxante que nunca mais a vi a praxar ninguém (acho que foi chorar para um canto qualquer). Portanto, qualquer homem a ser praxado, que não tenha grande medo de poder vir a sofrer actos retaliatórios, que não queira ter qualquer tipo de envolvimento futuro com a praxante, apenas tem que dizer, como aquele grande sábio de três anos disse, do alto da inerente sapiência, inocência e espontaneidade da sua idade:
- Não me chateies. Vai lavar qualquer coisa.
Sem comentários:
Enviar um comentário